terça-feira, outubro 24, 2006

9 -Perdoar (parte I I )


De modo a concluir o que me propuz trazer até Vós no ultimo texto, e em especial dedicado a todos os que vivem momentos menos bons relacionados com a adição aqui deixo a parte final da partilha.
Oitavo Passo não é fácil;
Exige um novo tipo de honestidade nas nossas relações com os outros. O Oitavo Passo inicia o processo do perdão, se perdoarmos aos outros, possivelmente seremos perdoadas e, finalmente, nós nos perdoaremos e aprenderemos a viver um dia de cada vez , com a intensidade de muitos. Quando atingimos este passo estamos prontas para compreender mais do que ser compreendidos. Podemos viver e deixar viver mais facilmente, quando conhecemos as áreas e as pessoas em que devemos fazer essas reparações. Pode parecer difícil agora o reparar, o perdoar, mas depois que o fizermos, perguntaremos porque não tínhamos feito isso a mais tempo.
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É importante que se defina o que é "prejudicar". Uma definição de prejuízo é dano físico ou mental. A outra definição de prejudicar e que mais vezes acontece connosco, é causar dor, sofrimento ou perda.
Quantas e quantas vezes o prejuízo é causado por algo que seja dito, feito ou até que não tenha sido feito. Podemos ter prejudicado com palavras ou acções, intencionais ou não. Esse prejuízo pode ter consequências tais que pode fazer com que alguém se sinta mentalmente desconfortável , numa caminhada que na adição pode levar até ao dano físico ou mesmo à morte.
O Oitavo Passo nos confronta com um problema. Muitos de nós têm dificuldade de admitir que prejudicaram outras pessoas, pois acima de tudo julgamo-nos vítimas. Temos que saber separar o que fizeram connosco, daquilo que fizemos com os outros. Deixarmos de lado nossas razões que nos dão a ideia de sermos vítimas.
É frequente desse modo sentimos que só nos prejudicamos a nós próprios , no entanto e quase sempre nós nos colocamos no último lugar na lista de reparações que temos a fazer, acontecendo até nem fazermos parte dessa lista .
A verdade é que não nos tornamos pessoas melhores julgando os erros dos outros, daqueles que nos rodeiam. Ao elaborarmos essa lista de reparações, e ao colocar em prática esse projecto, estamos a renunciar à negação, à promessa que se quebra, à negligência. Há que encarar a lista com honestidade com objectivo de levar para diante e fazer essas reparações. O mais importante é que este passo nos ajuda a criar uma consciência de que estamos aos poucos, ganhando novas atitudes em relações aos outros.
O Oitavo Passo oferece uma grande mudança numa vida dominada pela culpa e pelo remorso. O nosso dia-a-dia é modificado porque não temos que evitar as pessoas que prejudicamos, porque assim agindo estamos a receber uma nova liberdade, pondo fim ao isolamento da nossa vida. Aos pouco iremos perceber a necessidade de sermos perdoados, e desse modo temos uma tendência maior para o perdão, e assim libertarmos o ódio que antes se apoderou de nós, e estarmos perante uma etapa que nos dá a conhecer uma nova paz de espírito que, uma vez obtida, não mais vamos desejar perder."

Reflexão:
"A quem magoei? Seguramente as pessoas mais próximas."
Será que sei que meus relacionamentos foram destrutivos e dolorosos, para meus filhos, meus amigos e para todos aqueles que comigo convivem ?
Será que sei que os arrastei para a minha dor e meu desepero, através da minha ansiedade, da minha raiva, do meu ódio e do meu ressentimento?
Será que sei que os magoei, ao querer desforrar neles toda a minha frustração?
FAs / Grupo de Alcobaça / Agnelo F.

quinta-feira, outubro 12, 2006

8 -Perdoar (parte I )


Vai realizar-se nos dias 21 e 22 de Outubro , na Universidade de Aveiro, a Convenção Anual das Famílias Anónimas. Sei que o anonimato deve ser respeitado, pessoalmente assim o entendo na forma de salvaguardar os intervenientes, no entanto pela parte que me toca é e será sempre um prazer fazer esta divulgação sobre um problema que atinge milhares e milhares de famílias , que é a adição, a dependência ao efeito neste caso concreto da toxicodependência. Deixo aqui a primeira parte de um texto que quero partilhar tendo em conta a realização da Convenção, na próxima semana farei a conclusão.
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Perdoar
Nesse Grupo de Inter-Ajuda, descobre-se não a cura para o mal, para essa doença que é a toxicodependência, mas antes, a viver cada momento das nossas Vidas da forma mais adequada a cada caso e a cada um de nós, tendo sempre presente que não só o adito é dependente, mas também os familiares e os que o rodeiam são co-dependentes, e toda a forma de agir e de pensar deve ser ponderada, depois de assimilar partilhas e vivências daqueles que tanto têm para nos dar a conhecer. O colocar em prática essas partilhas , depende de nós e da forma como o entendermos.
Com o decorrer dessas reuniões, temos contacto com pessoas com casos bem mais graves que os nossos , que com a ajuda verificada ao praticar os 12 Passos, conseguiu ultrapassar parte da situação e hoje ter uma vida melhor. É como membro e responsável por uma das salas, que na proximidade da Convenção Vos deixo aqui algumas palavras sobre este assunto e sobre o que nos diz o "Oitavo Passo":

"Fizemos uma lista de todos as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a fazer reparações a todas elas."

Não só pelo facto de frequentarmos as Reuniões, mas como em tudo em nossas vidas, a humildade resulta de um projecto de vida em que procuramos por em prática a honestidade em nós próprios, se o não conseguirmos, então não alcançaremos a humildade tão necessária e importante em nós, para pôr-mos em prática toda a vivência e ensinamentos que levamos dessas reuniões, assim acima de tudo e em 1º lugar importa eu ser e manter-me honesto comigo próprio.
Qualquer um de nós ao afzer este percurso, está já a praticar a honestidade desde o primeiro passo. Ao aceitarmos o facto de que éramos impotentes perante o adito, acabamos por encontrar uma força que vai para além de nós que nos ensina a aprender e a confiar em nós e nessa mesma força.
Examinamos todo o percurso das nossas vidas e descobrimos quem somos realmente. E aí descobrimos que somos verdadeiramente humildes quando aceitamos e tentamos, honestamente, ser aquilo que somos. Nenhum de nós é perfeitamente bom ou inteiramente mau. Todos somos pessoas com qualidades e defeitos. E, acima de tudo, somos humanos.
Temos que compreender e aceitar que a nossa maneira de pensar não é a única e que as outras pessoas podem nos dar a conhecer parte do seu percurso de vida, partilhando, e nós aceitarmos as suas experiências dessa mesma vida.
Geralmente quando alguém nos aponta um defeito, a nossa primeira reacção é quase sempre de contra resposta na defensiva. Temos que compreender que não somos perfeitos. Haverá sempre espaço para o nosso crescimento como pessoas que somos. Se quisermos realmente ser livres, e pôr em prática tudo o que nos é dado a conhecer, decerto ouviremos atentamente o que os companheiros tiverem para nos dizer. Se descobrirmos esses mesmos defeitos, e tivermos a oportunidade de mudar, certamente experimentaremos uma sensação de bem-estar.
Assim este Oitavo Passo é o teste da nossa humildade recentemente encontrada com o acompanhamento das reuniões em Famílias Anónimas.
O nosso objectivo é a libertação da culpa que temos carregado, ao longo dos tempos enquanto familiares e amigos dos adictos.
A partir daqui temos vontade de olhar o mundo de frente, sem agressividade ou medo, quer no que diz respeito a nós próprios, quer naqueles que nos rodeiam.
"Será que estamos dispostas a fazer uma lista de todas as pessoas que prejudicamos?"
Faremos isso a fim de limpar o medo e a culpa que o passado ainda nos traz. Nossa experiência já nos demonstra que precisamos sentir boa vontade para que esse possa fazer qualquer efeito.
.../...
nota: na próxima semana deixarei aqui a 2ª parte e conclusão desta partilha
Familias Anónimas / Grupo de Alcobaça / Agnelo F.